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28 de novembro, 2018

Guia completo de empregabilidade no século XXI

Muita coisa é dita por aí sobre a empregabilidade no século XXI. A realidade é que o avanço das tecnologias — seja aquelas que usamos todos os dias, ou as que só conhecemos pelo nome — tem preocupado milhões de profissionais.

Como serão os empregos do século XXI? Que tipo de pessoas se manterão em destaque no mercado de trabalho? Quais formações podem ajudá-lo a passar por esse momento em particular e como se preparar para o futuro?

É sobre esses temas que falaremos no artigo de hoje e, ainda, como as ciências humanas são importantes nesse contexto e quais são as novas formas de contratar. Curioso em relação às respostas? Então comece já a leitura!

Como a tecnologia está mudando o perfil dos profissionais?


Você já ouviu falar na indústria 4.0? Esse conceito se tornou muito popular recentemente, todavia, são poucas as pessoas que conseguem explicá-lo com facilidade. Sabemos que estamos no caminho para uma transformação significativa na forma como desenvolvemos e manufaturamos produtos, graças à digitalização das fábricas.

É isso que tem feito as pessoas utilizarem o termo “indústria 4.0” para representar o que se convencionou como uma quarta revolução industrial. Da mesma forma que as revoluções anteriores tiveram grande impacto na rotina dos trabalhadores, a tal indústria 4.0 também terá.

A máquina a vapor e as linhas de produção, por exemplo, serviram para que organizações se tornassem mais competitivas, conseguissem entregar produtos melhores e fizessem tudo isso em menos tempo, ou seja, com mais eficiência. Então, o que é que a indústria 4.0 fará pelos empreendimentos?

Podemos dizer, com certeza, que ela é a que terá maior impacto na empregabilidade no século XXI. Isso por sua natureza. A indústria 4.0 segue o que aconteceu na terceira revolução industrial, que introduziu os computadores e a automação, qualificando o equipamento e os processos com sistemas inteligentes alimentados por dados e que utilizam tecnologias, como o machine learning.

Hoje não é mais imprescindível programar uma máquina para que ela realize determinada função e recursos, como a inteligência artificial, porque o tipo de profissional de que as empresas precisam é bastante diferente. A existência de sensores, capazes de acompanhar e monitorar os resultados, seja no campo ou na cidade, também tem grande impacto em como a maioria dos empreendimentos avança. Por isso, a tecnologia vem modificando o perfil dos profissionais.

Aqui estão cinco coisas que são cada vez mais comuns no mercado de trabalho e podem influenciar a sua empregabilidade. Fique atento a elas para salvaguardar a sua participação nos processos industriais que se iniciam.

Profissionais precisarão de novas habilidades


O futuro está cheio de oportunidades para quem está pronto para aprender novos talentos. Serão eles que guiarão a sua posição na indústria, no varejo e na agricultura. Tecnologias digitais demandam uma porção de conhecimentos especializados e boa parte das ocupações em destaque na indústria 4.0 exige que você aprenda uma nova disciplina, profissão ou, pelo menos, atualize o seu entendimento quanto à tecnologia.

Entre a criação de arquiteturas na nuvem e o trabalho de marketing em redes sociais, há um monte de “linguagens” por aí que devem ser dominadas pelos profissionais que desejam manter seus empregos no século XXI. Outras tantas profissões que antes demandavam apenas conhecimento especializado, como as ciências biológicas, já incorporam também programação e a capacidade de lidar com sistemas automatizados no dia a dia.

A vantagem? Quanto mais nos envolvemos com o digital, mais fácil fica de aprender novas habilidades. Em cursos online e consumindo material sobre os principais temas que impactam a sua profissão, é possível continuar desempenhando-a com excelência, mesmo frente às modificações tecnológicas que já vemos (e veremos com mais frequência) por aí.

Oportunidades para empreender serão mais frequentes


Sempre quis largar tudo e empreender? Na indústria 4.0 isso será mais fácil do que nunca e você poderá encontrar muitas chances de fazê-lo. Com a automação substituindo parte dos empregos tradicionais, há um medo constante de que não há a criação de novos deles em número o suficiente para que todos tenhamos espaço nessa revolução.

A verdade é que muitos trabalhos têm sido automatizados, graças à Internet das Coisas, mas há sempre uma gama deles que não podem ser feitos exclusivamente por máquinas. Empreender é uma dessas tarefas.

Equipamentos autônomos não são capazes de identificar grandes oportunidades, apenas de orientar um profissional em direção a elas (como acontece com recursos como o Big Data e Business Intelligence). As pessoas sempre serão as grandes condutoras de mudança quando o assunto é tecnologia e educar-se para isso significa que você poderá se tornar um desses players no futuro.

Especializar-se em outras áreas será uma necessidade


Já reparou que a maioria das descrições de vagas hoje em dia não é como as que via quando começou a sua carreira? Esse também é um impacto da indústria 4.0, que fez com que precisássemos abrir o nosso leque de conhecimentos para conseguir crescer em nossas carreiras.

Além de modificações nos empregos tradicionais, há na atualidade vagas para funções que sequer existiam alguns anos atrás. “Analista de dados” é uma delas. Todas essas novas profissões fazem com que se especializar em novas áreas seja imprescindível.

Não são só elas, todavia, que vão impactar como o profissional do futuro se comporta. Empregos tradicionais, como o de um analista de marketing, também têm evoluído de acordo com essa tendência e incluído características como “facilidade com visualização de dados” e “storytelling” em suas atribuições.

Mudar de carreira se tornará natural


Até pouco tempo atrás mudar de carreira era uma mudança radical. Profissionais estabelecidos em suas áreas tinham medo de fazê-lo porque planos de carreira engessados e uma vida que seguia determinados padrões estavam traçados pela frente. Entretanto, quando falamos em uma revolução digital, falamos também em modificações que encurtam a linha que separa uma atribuição profissional de outra.

Conforme você se familiariza e aprende um novo skill para colocar em prática na sua rotina, percebe que essa capacidade pode colocá-lo em outra direção e ser empregada em muitos outros cargos dentro da sua própria organização. Novas competências permitem que o profissional desenvolva soluções para mais de uma etapa dos processos em suas empresas ou ingressem em setores em que jamais pensaram que trabalhariam.

Assim como desenvolvedores, cada vez mais, se transformam em especialistas em experiência do usuário, você também passará por um processo parecido. Portanto, mudar de carreira ou de atuação profissional não será mais um bicho de sete cabeças.

Envolver-se em outras indústrias será um diferencial competitivo


Se você pensa que “mudar de carreira” é um termo mais tradicional, que diz respeito a ingressar em outras indústrias que nada têm a ver com aquela em que trabalha hoje, também temos boas notícias. Envolver-se em setores diferentes daquele em que trabalha é uma característica que aumenta a sua empregabilidade no século XXI.

A tecnologia funciona como um fator “disruptivo”, ou seja, que pode virar uma indústria do avesso. Empresas experientes têm, em decorrência disso, percebido que podem fazer muito mais e que precisam inovar para sobreviver. Varejistas, como a Target, por exemplo, têm departamentos inteiros para lidar com os dados que acumularam ao longo dos anos e discernir como eles podem ser utilizados pela organização.

Quem trabalha com finanças pode acabar entrando para uma fintech no futuro. Ou ingressando em um departamento diferente, com objetivos distintos, do que aquele em que optou por trabalhar no começo de sua vivência profissional. O digital tem permitido que pessoas se envolvam em outras indústrias e feito disso um diferencial competitivo.

Qual a importância das ciências humanas nesse cenário?


Depois de conhecer como a tecnologia está modificando o perfil dos profissionais no século XXI, não é difícil entender que é preciso desenvolver uma série de características como vantagem competitiva. O que pode lhe surpreender, todavia, é a natureza dessas habilidades que funcionam como um diferencial dentro da quarta revolução industrial.

Em geral, profissionais das ciências humanas são os primeiros a questionarem o seu papel e a própria empregabilidade no futuro. Se esse for o seu caso, vamos ajudá-lo a entender a tendência fuzzies versus techies.

A maioria das tecnologias que utilizamos hoje ainda precisam ser otimizadas e não podem ser controladas sozinhas. Embora os profissionais de TI, ou techies, se esforcem nesse sentido, muitas vezes faltam a eles as habilidades para entender como determinados problemas devem ser solucionados. É aí que entra o trabalho dos fuzzies, ou os profissionais de ciências humanas. Eles podem colaborar com análises qualitativas e experiências distintas para solução de problemas.

Alguém que se formou em filosofia, por exemplo, tem uma visão completamente diferente daquela de um engenheiro. Equipes multidisciplinares mostram que o conhecimento humano não precisa ser visto como supérfluo: ele tem um papel muito importante em como utilizamos os recursos que temos em mãos e ajuda quem desenvolve tecnologias a se afastar um pouco dos números e considerar as pessoas que serão impactadas por elas.

Dados nem sempre são objetivos. Muitos deles precisam considerar fatores comportamentais, que escapam da lógica e da probabilidade. Um sistema que acompanha quantos crimes são cometidos em uma cidade automaticamente, compilando dados dos boletins de ocorrência, nunca acompanha todos os crimes. Apenas aqueles que foram relatados à polícia.

Isso pode distorcer dados em muito níveis, pois algumas comunidades ou indivíduos estão menos propensos a reportar à polícia violências que sofrem. Um erro desse tipo pode levar cidades a investirem na alocação de forças policiais em locais que não são o principal foco da criminalidade, apenas registram mais crimes que os demais.

Profissionais de ciências humanas têm perspectivas diferentes sobre os problemas e serão fundamentais para o sucesso continuado do desenvolvimento de tecnologias.

Quais são as novas formas de contratar?


Com tantas mudanças no mercado de trabalho, é claro que a maneira de contratar das empresas também evoluiu. Hoje, coisas como o “cultural fit” são levadas tão em consideração, ou até mais, do que experiência e habilidades específicas.

Isso porque as empresas aprenderam que vale mais a pena educar um funcionário que tem o potencial de adaptar-se à cultura delas do que contratar alguém por um currículo brilhante. O que não quer dizer que seus skills não mais importam, apenas que você terá a oportunidade de encontrar vagas por aí mesmo que esteja mudando de área ou no processo de desenvolver novas habilidades. Mostraremos o que muda nas contratações a partir de agora e como isso vai impactá-lo!

Cultural fit


Mencionamos na introdução o “cultural fit”, ou, em uma tradução livre, o ajuste cultural. Esse termo foi cunhado há alguns anos para evidenciar como um recrutado se aproxima das crenças e dos comportamentos que são essenciais para a cultura da empresa. O que quer dizer que cada empreendimento tem um “cultural fit” diferente dos demais. Definimos a cultura no ambiente de trabalho como dois fatores distintos:

  • algo que é deliberadamente definido; ou

  • algo que cresce e evolui naturalmente.


A segunda definição é a mais comum. Mas como acontecem as contratações por “cultural fit”?

Departamentos de RH desenvolvem processos para articular o que representa a cultura organizacional, quais são os valores da empresa e que comportamentos e experiências compõe o seu ambiente ideal. Alguns deles fazem isso precisando os “valores” de uma companhia, outros fazendo perguntas como: “que comportamentos de seus colaboradores influenciam a tomada de decisões dentro da empresa?”.

Quando feito da forma correta, o “cultural fit” ajuda a conectar empresas com os parceiros ideais, que podem desenvolver habilidades e talentos necessários para ter uma performance maior do que aqueles potenciais colaboradores que têm experiência em determinada área.

Flexibilidade


Outro aspecto muito procurado pelos empregadores na indústria 4.0 é a flexibilidade. Ao longo dos anos as empresas vêm percebendo o quanto é importante conviver com pessoas flexíveis, dispostas a aprender e ensinar. É graças à natureza da quarta revolução industrial, em constante evolução e introdução de novas tecnologias e conceitos, que essa flexibilidade tornou-se tão importante quanto é hoje.

Colaboradores que estão dispostos a se adaptar e trazer valor para o empreendimento, não importando o papel que desempenham, são os mais procurados.

Trabalhos remotos


Outra novidade é a popularização do trabalho remoto. Conforme fábricas e outros ambientes empresariais se tornam mais inteligentes, é cada vez mais popular manter colaboradores em outras cidades e países. A automação permite que a produção seja agendada em torno da disponibilidade dos funcionários, o que significa que profissionais de idade avançada ou aqueles que são pais podem combinar rotinas de trabalho diferenciadas para acomodar essas necessidades.

Potencial de aprendizado


A abordagem tradicional indica que empreendedores devem escolher funcionários de acordo com as capacidades que eles demonstram já no processo de seleção. Mas para garantir a sua empregabilidade no século XXI você terá que fazer mais do que isso.

Mudanças no processo de contratação recomendam que os recrutadores contratem pessoas ágeis, que aprendem o tempo todo, se comunicam bem e são proativas na hora de resolver problemas. Essas pessoas devem conseguir se desenvolver dentro das empresas, uma estratégia que reduz significativamente o turnover.

Quais são as habilidades necessárias para o novo século?


Já mostramos para você como características, como o “cultural fit”, serão importantes para a empregabilidade no século XXI. Porém, as empresas ainda procuram por habilidades específicas em seus contratados e é necessário desenvolvê-las. Os chamados soft skills são algumas dessas características. Eles se diferenciam dos hard skills porque não são aspectos tangíveis ou técnicos que precisam ser demonstrados por um candidato (como proficiência no Pacote Office).

Soft skills são habilidades transferíveis, ou seja, que não são especializadas como os hard skills e não exigem uma vocação ou formação determinada para serem desenvolvidas. Em geral, esses talentos têm mais a ver com a personalidade de um candidato, como a capacidade de se comunicar bem, trabalhar em equipe e solucionar problemas. Quer conhecer os principais soft skills e entender a importância deles? Preste atenção nos próximos tópicos.

Liderança


A liderança é um dos soft skills mais importantes porque influencia como outros deles funcionam. Um líder costuma ser uma pessoa resiliente e, ao mesmo tempo, proativa. Portanto, demonstrar essa característica lhe ajudará a se posicionar bem no mercado.

Mas será que liderança pode ser aprendida? Ao contrário do que muitos pensam, essa característica não é inata. Em geral, ela envolve uma visão otimista das coisas, a habilidade de transmitir ideias bem e grande capacidade de se automotivar e de motivar a terceiros.

Comunicação


Não são só os líderes que precisam saber se comunicar. Todos os profissionais no mercado precisam desenvolver esse soft skill para sobreviverem. Como uma boa comunicação impacta o seu sucesso?

Quem transmite bem ideias é capaz de ajustar o próprio tom e estilo de acordo com a audiência, portanto, é um vendedor melhor. Também tem a habilidade de entender os outros, o que permite que essas pessoas tomem decisões mais assertivas e sigam instruções com maior facilidade.

Resiliência


A resiliência, dentro das organizações, é a capacidade de superar mudanças e ainda assim funcionar. Os profissionais resilientes são fundamentais dentro da indústria 4.0 porque eles conseguem se adaptar ao que acontece ao seu redor, “dançando conforme a música”.

Um profissional resiliente ao notar que suas habilidades não são mais o suficiente para cumprir uma função buscará, de forma proativa, maneiras de contornar esse problema. Não é de se admirar que essa característica seja tão fundamental para manter a empregabilidade de um indivíduo no século XXI.

Como se preparar para o futuro?


singularidade tecnológica, conhecida também apenas pelo termo "singularidade", é a previsão de que no futuro uma inteligência artificial de extrema performance será capaz de trazer para a humanidade mudanças inimagináveis. Alguns, menos otimistas, dizem que esse pode ser o fim da humanidade, já outros têm altas expectativas para o acontecimento.

Dentre as previsões feitas por especialistas, temos a de que máquinas serão capazes de desenvolver máquinas melhores. Mas como isso pode afetar a empregabilidade no século XXI? Embora a singularidade ainda esteja distante (com previsões para acontecer entre 30 e 1000 anos), a inteligência dessas máquinas facilmente superará a nossa. Mas há uma ideia de que finalmente humanos encontrarão seu “sucessor”, se considerarmos o Darwinismo.

De acordo com Robin Hanson, um economista da Universidade George Mason, a singularidade pode ter um impacto enorme na economia. Se hoje o crescimento dela dobra a cada quinze anos, o mesmo resultado poderá ser esperado em uma semana ou em um mês.

Ainda há a possibilidade de alugarmos nossos cérebros à internet, vivendo virtualmente para sempre. Pensar na singularidade ainda é um exercício teórico, mas a Inteligência Artificial já é parte de nosso dia a dia. O que você pode fazer para continuar relevante nesse contexto?

Habilidades aumentadas


Dentre as perspectivas para o futuro do mercado de trabalho temos a que indica que a IA aumentará a performance dos seres humanos. Já podemos ver isso em ferramentas como o Watson, que usado nos diagnósticos médicos permite que profissionais cheguem a resultados que levariam décadas de estudo com apenas alguns minutos.

Isso porque a inteligência artificial consegue consumir e interagir com informações em uma velocidade muito avançada. Os profissionais ainda são necessários para educar e informar a tomada de decisões, mas esse tipo de sistema já nos ajuda a obter um desempenho melhor no tratamento de pacientes.

Empregos serão redefinidos


O conceito de emprego como você conhece provavelmente não existirá em alguns anos. As estruturas organizacionais terão de ser alteradas considerando recursos avançados, como o machine learning.

Um funcionário de fábrica pode ser treinado para controlar robôs e educá-los. Outros podem se envolver na configuração de sistemas e algoritmos que ajudam as máquinas a darem respostas mais precisas. Hierarquias serão, segundo essa teoria, substituídas por colaborações.

A tecnologia continuará ocupando um papel de destaque na maneira como as empresas equilibram suas rotinas. Mas mesmo os avanços mais incríveis não fazem dela capaz de substituir integralmente o fator humano. Por isso, é necessário entender o que muda na empregabilidade no século XXI e fazer adaptações pensando nessas tendências.

É provável que você tenha de se modernizar, como muitos profissionais, acostumados com as máquinas de escrever, mas que precisaram transitar para os computadores, tiveram de fazer em um passado recente.

Os novos empregos são mais dinâmicos, as formas de contratação encontradas no mercado são menos usuais e, até fazermos uma transição "completa" para a indústria 4.0, muitas das informações aqui avançarão e evoluirão. Por isso, é importante ficar atento e aprender sempre que possível.

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