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7 de março, 2018

Guia definitivo sobre a indústria 4.0: entenda tudo sobre o assunto

Você já ouviu falar em indústria 4.0? O termo, relativamente novo, é um daqueles conceitos aos quais devemos estar atentos. Também referenciado como quarta revolução industrial, denota a importância que automação, computadores e o aprendizado de máquina terão no futuro de todos os negócios. Ainda não encontrou por aí uma definição da indústria 4.0 que abrangesse tudo o que queria saber? No artigo de hoje, definiremos seu conceito, explicaremos um pouco melhor como ela surgiu e mostraremos o impacto das principais tecnologias associadas a ela. Além disso, faremos um panorama do que se esperar da indústria 4.0 agora e no futuro e das oportunidades que os negócios podem explorar graças a ela. Pronto? Então comece já a leitura!

O que é a indústria 4.0?

Indústria 4.0 é um termo abrangente, e você pode entendê-lo melhor partindo do princípio de que não estamos nos referindo a nenhuma tecnologia em específico. O termo serve de guarda-chuva para contemplar as diversas mudanças no panorama industrial capazes de fazer uma diferença significativa na maneira como empresas operam. Por esse motivo, muitos preferem se referir à indústria 4.0 como quarta Revolução Industrial. É que, assim, entender exatamente os conceitos a partir dos quais deriva a sua classificação é menos complicado. Mas a que definição exatamente estamos nos referindo? A indústria 4.0 tem o intuito de revolucionar negócios com tecnologia. E faz isso por meio da criação de fábricas inteligentes, conectadas e capazes de se autogerenciar com auxílio de alguns recursos específicos. Podemos associar a indústria 4.0 com a descentralização da tomada de decisões. Afinal, com o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e a associação dos equipamentos utilizados no ambiente industrial com sensores da Internet das Coisas, é possível agir remotamente e impactar toda a cadeia de produção. Assim como, antes de nós, foram criadas máquinas para mecanizar o trabalho feito por nossos ancestrais, também a quarta Revolução Industrial surge como uma forma de aumentar a produtividade e obter melhores resultados. Sua característica mais importante, todavia, não é o uso da automação e da computação, mas a maneira como conseguimos hoje conectar tecnologias e fazê-las trocarem informações de uma forma inédita. É seguro dizer, então, que a quarta Revolução Industrial diz respeito à interoperabilidade e à integração. Outras características, como a transparência na troca de informações, a assistência oferecida pela tecnologia na tomada de decisões e a descentralização do que acontece no ambiente de trabalho, são, simultaneamente, consequências e requisitos para considerar que uma empresa opera na indústria 4.0. Falamos especificamente em empresas, porque, embora indústria 4.0 aponte para um contexto de chão de fábrica, sistemas específicos podem ser considerados parte da indústria 4.0. Dessa forma, não podemos dizer que o conceito afete apenas donos de manufaturas. Obviamente, não dá para definir o que é indústria 4.0 sem apontar pelo menos alguns de seus desafios. É que, embora a implementação possa resultar em mudanças significativas, ela não acontecerá sem gerar algumas preocupações adicionais. E provavelmente a maior delas hoje diz respeito à segurança. Integrar dados em diferentes sistemas utilizando redes de computadores não é uma tarefa fácil para a TI, porque quanto mais ampliamos o acesso à informação, mais arriscadas se tornam as trocas de dados. Da mesma forma como o roubo de identidade era um crime menos comum alguns anos atrás, quando precisava ser feito individualmente, hoje ele atinge mais pessoas porque geralmente é feito pela interceptação de um único sistema, que compreende os dados de diversos indivíduos. Isso quer dizer que manter informação proprietária longe das mãos de agentes maliciosos é uma das grandes preocupações da indústria 4.0. Mas não é a única delas. Estabilidade é outra palavra de ordem para que a quarta Revolução Industrial possa entregar o impacto que dela esperamos. Sistemas estáveis e robustos são necessários para garantir a comunicação entre máquinas. Exatamente por isso, evitar grandes problemas técnicos é um dos principais desafios para o sucesso desses tipos de inovação.

Como surgiu a nova indústria?

Agora que você já está familiarizado com o que exatamente quer dizer indústria 4.0, temos uma oportunidade de lhe mostrar como essa ideia foi desenvolvida e o que foi preciso para que fosse anunciado um novo capítulo dentre as várias Revoluções Industriais. Pode ser que você não se lembre muito bem de como elas aconteceram. Então, vamos resumir os grandes avanços de cada uma das indústrias para que possamos, então, falar um pouco mais de suas respectivas histórias. A primeira Revolução Industrial foi caracterizada pela mecanização. É a ela que nos referimos quando fazemos menção à máquina a vapor. Antes da primeira Revolução Industrial, o progresso estava atrelado integralmente à capacidade de cada trabalhador em uma fábrica. Já a segunda Revolução Industrial é definida pela produção em massa. Nela, foram desenvolvidos conceitos como a linha de montagem, que acelerava a manufatura de bens e diminuía consideravelmente o custo de produzir cada artefato. Nesse momento, nasce o fordismo, e é dessa parte da nossa história que cenas clássicas como as dos filmes de Chaplin se originam. A terceira Revolução Industrial começa a mudar a direção das coisas. Ela gira em torno da invenção dos computadores e do próprio conceito de automação. O fato de que máquinas poderiam ser mais do que instrumentos na mão de seres humanos (e seriam capazes de substituí-los em uma série de tarefas) é o mais importante aqui. Chegamos, então, ao estágio atual. Nele, falar de máquinas em linhas de produção é nos referirmos ao passado e caracterizar o computador como ponto central é equivocado. Chegamos à era dos sistemas que são, ao mesmo tempo, cibernéticos e físicos e que podem criar cópias completas do ambiente fabril e utilizar recursos como a Inteligência Artificial para tomada de decisões independente. A primeira referência a uma indústria 4.0 foi feita ainda em 2011, na Alemanha. E é orientada pela revolução digital, que produziu a Era da Informação e só foi possível graças ao avanço crescente na velocidade com que novas tecnologias são introduzidas. O consenso que passou a chamar o momento que vivemos de quarta Revolução Industrial nasceu da interpretação de que não podemos tratar o uso de computadores feito até o fim do século passado da mesma forma como tratamos as estruturas de rede, com vários pontos independentes, que são utilizadas hoje. Como, hoje, máquinas não precisam de intervenção humana para se comunicar com outras máquinas, nada mais natural que assumir que entramos em outro ponto do desenvolvimento industrial — com seus benefícios e riscos, que devem ser endereçados de uma maneira diferente daquela com que lidamos com as demais Revoluções Industriais.

De que maneira a automação impacta a indústria 4.0?

Um dos pontos mais importantes da comunicação entre máquina e máquina é que ela abre espaço para a automação industrial, de uma forma como nenhuma outra tecnologia havia feito. É que, quando pensamos no uso do computador na terceira Revolução Industrial, conseguimos entender que ele tinha um potencial limitado, servindo para resolver problemas muito específicos. O entendimento que temos hoje de sistemas computadorizados é muito diferente do que cultivávamos alguns anos atrás. "Máquinas de computar", as tataravós dos computadores de hoje, tinham como função ser calculadoras, capazes de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Nenhuma delas era programável. Isso é bastante diferente, por exemplo, dos primeiros computadores de uso geral, que surgiram na Segunda Guerra. Eles tinham características como a de armazenar informações e utilizar código para desempenhar tarefas específicas, ainda que muito simples. Tratava-se de máquinas de seguir instruções. Pode-se inferir que o uso do computador feito na terceira Revolução Industrial era similar ao uso de qualquer outra máquina. A automação era possível, mas limitada, e não se pode compará-la, de forma alguma, ao que temos hoje. Quando falamos em automação, estamos, sim, nos referindo a conjuntos de instruções que criam processos repetíveis. Mas a automação hoje não é só um recurso para eliminar o trabalho manual. Ela também é uma forma de deixar por conta das máquinas o que humanos poderiam fazer com um desempenho inferior. Dentro da indústria 4.0, um conceito muito importante é o de Big Data. O armazenamento e o processamento de grandes conjuntos de dados é o que dá poder à automação, que, guiada por Inteligência Artificial ou Aprendizado de Máquina, consegue entregar respostas cada vez mais precisas e ágeis. São essas respostas que estão no cerne da comunicação entre máquinas, citada no começo deste trecho. É a automação que faz com que não seja necessário ter um funcionário dedicado integralmente à supervisão de linhas de montagem, pois permite que elas funcionem dentro de um padrão. Essa mesma automação é que trabalha garantindo que anomalias possam ser detectadas rapidamente, por meio de instrumentos de monitoramento. A conexão entre todos esses sistemas é realizada com auxílio de software, compilada na forma de dados e visualizada em sistemas cada vez mais compreensíveis, o que garante o andamento das operações e a eficiência dos negócios na indústria 4.0. A automação impacta todos os processos. Ela define como máquinas agirão, que tipo de comportamento pode ser esperado delas, quais são as ações específicas para cada um dos resultados possíveis em um conjunto de variáveis e que gatilhos movem essas ações. O benefício de tudo isso? Sistemas automatizados são, como já mencionamos, mais eficazes e confiáveis e menos onerosos. E eles podem fazer com que setores, como o industrial, sejam muito mais bem administrados e entreguem resultados que são otimizados e revisados constantemente.

O que esperar dos efeitos da nova indústria no mundo?

Se a quarta Revolução Industrial é uma das tendências tecnológicas para 2018, não poderíamos considerar este guia completo sem mencionar seus efeitos. Eficiência, flexibilidade e a customização em massa, por exemplo, são algumas das consequências que podemos visionar para os próximos dois ou três anos. Há uma questão a se considerar na diferença entre a implementação da quarta Revolução Industrial em países como o Brasil e em nações desenvolvidas, como a Alemanha. Além de o conceito ter nascido na nação europeia, esse lugar em particular vê mais rapidamente os avanços da indústria 4.0 devido aos esforços na sua popularização. Outro motivo é que países desenvolvidos têm, no geral, populações mais idosas do que aqueles em desenvolvimento, por isso, eles precisam investir em recursos de automação para manter-se tão produtivos quanto possível. O custo da mão de obra também é um pouco maior nesses locais. Por essa razão, investir em máquinas capazes de tornar a produção de bens menos dependente de seres humanos é sempre uma boa ideia. A vantagem, especificamente aqui, é que as máquinas endereçam ambos os problemas ao mesmo tempo e oferecem uma relação custo-benefício muito interessante. Entretanto, isso não quer dizer que a indústria 4.0 não terá impacto em países como o Brasil e a Índia. Malásia, China e outros territórios em desenvolvimento podem gerar mais oportunidades com auxílio da quarta Revolução Industrial. Importar tecnologias e utilizá-las para acelerar o crescimento é uma ótima estratégia que esses mercados têm para alcançar o nível de industrialização de países desenvolvidos. Abaixo, veja outros efeitos da indústria 4.0.

Incentivo à inovação

Negócios se tornarão mais eficientes com as tecnologias associadas à indústria 4.0. Entretanto, tudo o que acontece nesse cenário funciona para fazer com que as empresas mais inovadoras obtenham vantagens exclusivas. Um dos exemplos práticos disso está na implementação de novos modelos de negócios, o que, na quarta Revolução Industrial, pode ser feito com maior agilidade. Pense no uso de sensores e de conectividade para administrar a planta industrial. Ao perceber anomalias, indústrias podem trabalhar em resolvê-las, gerando alternativas melhores para o consumidor, e também podem derivar dali ideias para a criação de serviços exclusivos que complementem seus produtos e os tornem ainda mais interessantes.

Foco no consumidor

Atualmente, todas as experiências de consumo são criadas pensando no que é melhor para o consumidor. E, é claro, nas indústrias, produtos são desenvolvidos para endereçar com mais precisão suas necessidades e antecipar demandas. Entretanto, imagine uma universalização da customização de produtos que não demande a produção de lotes gigantescos. É isso que a indústria 4.0 torna possível. Os produtos feitos com exclusividade para uma única pessoa, ou um grupo pequeno de indivíduos, podem custar pouco ou quase nada (quando comparados com os produtos tradicionais). Isso faz com que o relacionamento entre marca e cliente se aprimore e com que a oferta de produtos seja virtualmente infinita.

Crescimento sustentável

Outro ponto importante é o crescimento continuado e sustentável que a indústria 4.0 tem a oferecer. Um grande problema das outras Revoluções Industriais foi que nenhuma delas considerou o impacto que tinha em nosso planeta ou nas sociedades em que estavam inseridas. O progresso era a palavra-chave. Hoje, todavia, a tecnologia nos permite levar todos esses pontos em conta antes de tomar decisões e nos ajuda a encontrar alternativas que sejam ambientalmente corretas, inteligentes e lucrativas. Elas diminuem o custo de se produzir bens universalmente e fazem com que seja possível, por exemplo, reduzir a pegada de importações e exportações.

Como funciona a indústria 4.0 no Brasil?

Agora você deve estar se perguntando qual é a realidade da indústria 4.0 no Brasil. Atualmente, o conceito de manufatura avançada já é parte da realidade de muitos negócios, e planos adaptativos fazem parte do planejamento de muitas companhias. Digitalizar e robotizar fábricas, em um nível nunca antes imaginado, é uma opção que ganha destaque, agora que a crise econômica saiu de seu estágio mais grave. Os números mostram que pelo menos 15% das empresas brasileiras pretendem implementar a indústria 4.0 nos próximos dez anos. E, embora as pesquisas mais recentes indiquem que apenas 2% dos negócios já deram os primeiros passos nessa direção, 2018 é tido como o ano de sua arrancada pela ABDI (Agência Brasileira do Desenvolvimento Industrial). Alguns cases já podem ser citados para exemplificar como a tecnologia está fazendo a diferença nas nossas manufaturas. Ainda em 2017, as empresas que se especializam em tecnologia industrial e linhas de montagem inteligentes registraram, em alguns casos, um crescimento de mais de 90% nos negócios. Os especialistas apontam que o principal motivo disso é que, hoje, o custo de implementar princípios e tecnologias associados à indústria 4.0 é mais barato. É por isso que eles apostam que, em alguns anos, conseguiremos alcançar os mesmos indicadores de crescimento na área que têm Alemanha, Coreia do Sul e Israel. Uma redução de mais de 60% nos preços dos sensores utilizados na quarta Revolução Industrial é um indicativo disso. A redução no custo do armazenamento de dados e a popularização e desenvolvimento de recursos como a computação em nuvem, outro. Negócios de referência, como a ThyssenKrupp, já seguem o conceito de fábrica inteligente e conseguem produzir muito mais com menos funcionários. Hoje, sua unidade em Poços de Caldas tem cerca de 70 funcionários, mas finaliza 700 mil módulos por ano. Em fábricas tradicionais, o mesmo resultado exige cerca de 200 trabalhadores. Vale, Volkswagen, Ford e Mercedes-Benz são outras empresas que apostam no conceito. Elas já adotam técnicas para aumentar a vida útil dos seus equipamentos, por meio de monitoramento, ou reduzir o custo de prototipagem com impressoras 3D. Embora muitas organizações já tenham aberto seus olhos com relação à quarta Revolução Industrial, nem todas o fizeram pelos motivos certos. O fato de o termo ter se popularizado e se transformado em uma palavra-chave é o suficiente para que muitos empresários sintam a necessidade de colocar os seus negócios em dia com a novidade. Contar com especialistas e planejar a adoção de recursos como os associados à automação, todavia, é uma necessidade para obtenção de bons resultados.

Quais oportunidades surgem da indústria 4.0?

É de 86% o aumento no valor de uma empresa quando ela adota os princípios e tecnologias que norteiam a indústria 4.0. Esses números aparecem em uma pesquisa da publicação IT Foresight, que investiga em detalhes as oportunidades que a quarta Revolução Industrial traz para as organizações. O levantamento também serviu para desmistificar a associação entre a indústria 4.0 e setores como o automobilístico. Ele prova que até o varejo pode encontrar na indústria 4.0 chances de crescimento. Um dos exemplos disso está na melhor integração da cadeia de distribuição, que impacta tanto quem produz quanto quem vende. Confira, nos pontos a seguir, algumas das oportunidades a que o relatório faz referência.

Integração da cadeia de distribuição

Sabemos que quanto mais bem integradas estão cadeia de produção e distribuição, melhores são os resultados que uma empresa pode obter. Uma das principais oportunidades atribuídas à indústria 4.0 é exatamente essa integração, que conecta fornecedores, logística e plataformas de distribuição e unifica seus dados. A consequência é um planejamento mais eficaz e um menor atrito na relação entre as partes interessadas. Isso acontece porque a indústria 4.0 dá grande importância à comunicação, utilizando todos os recursos à sua disposição para garantir que ela seja um dos triunfos dos negócios.

Decisões baseadas em dados

O monitoramento e a coleta de dados é outro dos pontos importantes no conceito de indústria 4.0. Ele traz uma série de oportunidades para as empresas sendo a melhoria contínua a principal delas. Melhoria contínua ocorre quando dados são coletados constantemente para apontar pequenas ou grandes otimizações que podem aumentar a geração de valor, tornar a manufatura mais eficiente ou gerar novas ideias. Porque o monitoramento faz com que a tomada de decisões seja sempre orientada por dados, ele é a chance que companhias têm de entender melhor processos e operações.

Otimização de custos

Big Data, análises de mercado e Business Intelligence em conjunto funcionam mostrando para um negócio qual é a forma mais inteligente de aplicar seus recursos. Essas tecnologias podem orientar na procura de novos fornecedores e no entendimento aprimorado da demanda, fazendo com que empresas precisem gastar menos para obter produtos de qualidade superior. Tudo isso faz com que os custos de produção sejam reduzidos e as empresas possam investir, cada vez mais, em áreas estratégicas. A quarta Revolução Industrial é inevitável, e os negócios que investirem nela antes da concorrência terão vantagem na obtenção de resultados. Entender seu conceito e como ele pode ser aplicado à realidade de uma ou outra indústria específica é um ponto fundamental disso. E aí, acha que agora compreende o que é indústria 4.0 e pode usar as definições citadas aqui para alavancar seu negócio? Então não se esqueça de compartilhar conosco, nos comentários, o que achou deste conteúdo!

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